8 de março: onde estão as mulheres com deficiência?

Estamos no mês de comemoração do Dia Internacional da Mulher e a melhor forma de celebrar é garantindo a execução de ações de inclusão que promovem a equidade de gênero.

Globalmente, precisaremos de 132 anos para fechar a lacuna de gênero na economia, na política, na educação, como ilustram os dados do Fórum Econômico Mundial. Além disso, as mulheres ocupam apenas 19,7% dos assentos dos conselhos das companhias em todo o mundo, revela o estudo Women in the boardroom: A global perspective, da Deloitte Global e do The 30% Club.

E dentro deste contexto, onde estão as mulheres com deficiência?

As mulheres com deficiência enfrentam barreiras adicionais à sua participação na economia e na sociedade se comparado aos homens, com e sem deficiência, e em relação às mulheres sem deficiência, resultando em discriminação, redução de oportunidades, salários mais baixos e alta exposição à violência de gênero.

O reconhecimento sobre as múltiplas dimensões de opressão e discriminação é o primeiro passo para abordar e fazer cumprir os direitos humanos de mulheres com deficiência e protegê-las de práticas discriminatórias.

O fato é que são escassos os dados globais que permitem comparações entre países por status de deficiência e gênero. Como resultado dessa lacuna nos dados, as políticas e ações de inclusão são predominantemente concebidas de forma a levar em consideração a deficiência ou o gênero e, portanto, não incorporam a vivência e desafios que as mulheres com deficiência enfrentam.

A ausência do reconhecimento da discriminação que é fruto da interseccionalidade entre gênero e raça, nos dá a falsa impressão da homogeneidade de um grupo. As iniciativas de inclusão e equidade, então, assumem um risco de considerar todas as mulheres em situação semelhante: como mulheres sem deficiência. Esta falha em reconhecer a diversidade dentro de um grupo impede que a Gestão Estratégica da Diversidade, Equidade e Inclusão crie as condições necessárias para garantir a verdadeira inclusão das mulheres com deficiência.

No Brasil, entre a população com algum tipo de deficiência, 10,5 milhões são mulheres, frente a 6,7 milhões de homens. De acordo com relatório divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2019, as mulheres com deficiência exibiram menores taxas de participação no mercado de trabalho (24,7%) em relação aos homens com deficiência (34%) e também com relação às mulheres sem deficiência (57,7%). A taxa de desocupação foi maior para as mulheres com deficiência (13%) do que para os homens com deficiência (7,1%), de um modo geral.

Ainda é importante considerar que enquanto o salário médio das mulheres com deficiência é de R $1.464,00, o de homens com deficiência é de R $1.830,00 e o de pessoas sem deficiência é de R $2.619,00.

Esses dados ilustram, na prática, o conceito de interseccionalidade que diz respeito à sobreposição ou intersecção de marcadores sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação e discriminação.

As organizações efetivamente comprometidas em gerar impacto social positivo e com o ODS 5 – Igualdade de gênero da Agenda 2030 da ONU, reconhecem que abordagens generalistas de gênero e deficiência perpetuam a discriminação e a vulnerabilidade. Além disso, desenhar e executam ações efetivas para incluir e amplificar as vozes de mulheres e meninas com deficiência.

Quer saber mais como promover a inclusão de mulheres com deficiência em sua organização? Escreve para gente no contato@institutoab.com !

Publicado por por Amanda Brito

Administradora e Especialista em Gestão Empresarial e em Educação, atua há mais de dez anos conduzindo processos de Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Carreira e Desenvolvimento Humano, além de já ter coordenado grupos de trabalho sobre Equidade em ambientes corporativos. Apaixonada por transformação de pessoas, possui formação em Coaching Executivo e Life Coaching, em curso credenciado pelo ICF, e em Practitioner em PNL. Também ministra palestras e tem experiência facilitando processos em Grupos. Baiana radicada no Rio, e viajante nas horas vagas, seus pés não sabem andar nem ficar quietos.

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