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Noivado nas nuvens

Certamente casar na igreja estava longe de ser um item na minha Bucket List. Para quem gosta de classificações, a justificativa poderia ser que a geração Y está impregnada por amores líquidos, afinal, é aparentemente rápido e fácil descartar coisas e também pessoas. O resultado? Relações frágeis e pouco duradouras. Mas essa justificativa me parece um pouco rasa e incompleta.

Aprofundando um pouco mais esse ponto de reflexão, é fácil perceber o desafio que é ter e manter um relacionamento saudável. Muito além de aprender a lidar com as manias e imperfeições do outro, você se depara constantemente com aquele seu lado que não é tão bonito e que seu orgulho teima em não lhe permitir enxergar. É através do outro que nós somos. O relacionamento com intimidade ajuda a nos mantermos honestos pois um pode passar a ser ao outro uma espécie de espelho. Continue lendo → Noivado nas nuvens

A trajetória entre querer e – descobrir – poder morar sozinha

Ao olhar para menos de dez anos atrás e me recordar de uma garota que não conseguia percorrer uma distância de 20 metros conduzindo a própria cadeira de rodas, a ideia de morar sozinha poderia soar completamente absurda. Mas esse lapso temporal foi crucial para que muitas habilidades fossem desenvolvidas. Relembrar o êxtase de conseguir andar de táxi pelas ruas de sua cidade desacompanhada, algo tão corriqueiro e comum para a maioria das pessoas, a conquista da habilitação para dirigir, a compra do primeiro (e do segundo) carro, a primeira, segunda, terceira e quarta aprovações em concursos públicos, certamente eram fortes âncoras para que essa ideia pudesse germinar na cabeça de alguém que já tinha aprendido a lidar com as frequentes estatísticas pouco animadoras.

A grande questão é que a condição humana é muito mais complexa do que pregam as simplificações reducionistas das frases motivacionais. Ainda que um indivíduo seja capaz de superar uma gama de situações adversas, pode ser difícil alterar a influência que os paradigmas tão arraigados socialmente exerçam em suas próprias decisões, o que pode desencadear o processo de auto sabotagem. Continue lendo → A trajetória entre querer e – descobrir – poder morar sozinha

“Quando nada é certo, tudo é possível”

Ossos de vidro e nervos de aço

Em um dos clássicos (e lindos) filmes franceses lançados na década passada, a protagonista de Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) esbarra com um inusitado personagem: o velho do apartamento ao lado, um recluso e solitário parisiense chamado Raymond Dufayel (Serge Merlin), obscuro pintor com uma patologia denominada Osteogenesis Imperfeita, que o torna frágil como um graveto. É ele que diz uma das mais célebres frases do filme: “Os teus ossos não são feitos de vidro. Pode suportar alguns baques da vida”.

Muito embora seja uma frase inspiradora para pessoas sem deficiência aparente, uma das primeiras perguntas que surgem em minha mente inquieta é: e quem tem ossos de vidro não é capaz de suportar os baques da vida? Talvez seja difícil suportar os “baques” concretos, aqueles que levam nossos corpos ao chão. Mas, e aqueles que doem na alma?

Os ossos podem ser de vidro, mas os nervos podem ser de aço.

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